Refluxo: uma doença só do esôfago? - Grupo Surgical
Doença Diverticular
25 de abril de 2017
Artigos publicados pelo Prof. Dr. Bruno M. T. Pereira
2 de maio de 2017

Refluxo: uma doença só do esôfago?

A doença do refluxo gastroesofagiano é definida como uma condição desenvolvida quando há retorno do conteúdo ácido do estômago em direção ao esôfago, provocando sintomas clássicos como azia e queimação.

Além de acometer o esôfago, em alguns pacientes o refluxo pode chegar até a região da laringe (pregas vocais), gerando manifestações atípicas como pigarro, sensação de corpo estranho, necessidade constante de limpar a garganta, tosse diurna e rouquidão. Neste caso, denomina-se refluxo faringolaríngeo.

Todas essas sensações desagradáveis podem ser explicadas pela inflamação provocada pelo refluxo, que impede o funcionamento normal dos mecanismos de limpeza da garganta. A superfície da laringe é especialmente sensível aos efeitos do conteúdo ácido, gerando sintomas laríngeos mesmo na ausência de azia e queimação.

O otorrinolaringologista pode suspeitar do diagnóstico pelos sintomas descritos pelo paciente e pela videolaringoscopia, exame que permite a visualização de inchaço, irritação e lesões na topografia da laringe. A endoscopia digestiva alta auxilia na detecção de alterações no esôfago e na exclusão outras doenças. A pHmetria de 24 horas também é útil para a confirmação da doença do refluxo.

Para que o tratamento seja bem sucedido, é essencial que o paciente siga as orientações alimentares. Fazer uma dieta saudável inclui a redução do consumo de álcool, café, refrigerante, chocolate, frutas cítricas e aumento do consumo de legumes e verduras; comer porções menores; evitar deitar-se 2 horas após as refeições; cessar o tabagismo e elevar a cabeceira da cama. Estas medidas comportamentais, se seguidas corretamente, podem acabar com os sintomas.

O tratamento medicamentoso de primeira linha inclui os inibidores da bomba de próton (omeprazol e seus derivados) tomados em jejum, entre 30 e 60 minutos antes das refeições por um período de 4 a 12 semanas.

Alguns poucos pacientes, que não melhoram com o tratamento clínico, podem ser candidatos ao tratamento cirúrgico, sendo a cirurgia de fundoplicatura a Nissen a mais realizada.

Para saber mais sobre o refluxo, consulte um especialista.

Ao Grupo Surgical,
Drª Vanessa Brito Campoy Rocha
Médica otorrinolaringologista
CRM/SP 162.728
Instituto Nova Campinas - Tel: (19) 2117-3333

 

Referências:

  1. Tratado de Otorrinolaringologia, 2a edição – São Paulo: Roca, 2011.
  2. Ford CN. Evaluation and management of laryngopharyngeal reflux. JAMA. 2005 Sep 28;294(12):1534-40.
  3. Naiboglu B, Durmus R, Tek A, Toros SZ, Egeli E. Do the laryngopharyngeal symptoms and signs ameliorate by empiric treatment in patients with suspected laryngopharyngeal reflux? Auris Nasus Larynx. 2011 Oct;38(5):622-7.

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