Colecistite Aguda - Grupo Surgical

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Colecistite Aguda

Introdução

A Colecistite Aguda é a forma mais comum de complicação da Vesícula Biliar com doença calculosa (pedra na vesícula). Sua incidência está diretamente relacionada com o avanço da idade e afeta até 20% dos adultos na quinta década de vida e até 35% em paciente mais idosos. Um terço dos pacientes portadores de litíase biliar irão desenvolver algum tipo de complicação pela presença dos cálculos e, predominantemente apresentaram Colecistite Aguda.

Os principais fatores de risco para o desenvolvimento de Litíase biliar são:

  • Sexo feminino;
  • A idade superior a 60 anos;
  • Excesso de peso/obesidade;
  • Uma dieta pobre em fibras ou rica em colesterol;
  • A gravidez;
  • A história familiar de Litíase biliar;
  • A diabetes;
  • A perda de peso demasiado rápida;
  • consumo de alguns medicamentos que reduzem o colesterol e medicamentos que contêm estrogéneos, como os medicamentos hormonais.
 

Quadro clínico

Na maioria dos casos, a Colecistite Aguda inicia-se com um quadro de dor abdominal súbita, de forte intensidade do tipo cólica e localização na “boca do estômago” e/ou porção superior direita do abdome, bem abaixo dos arcos costais. É frequente o relato de progresso de intolerância alimentar para gorduras, frituras, enlatados e embutidos, acompanhado de dor em cólica.

O paciente pode apresentar náuseas, vômitos e febre (geralmente baixa 37,8ºC – 38ºC). A presença de febre alta sugere complicações do quadro. Pela sua localização, o diagnóstico diferencial pode incluir outras patologias abdominais, cardíacas ou pulmonares.

O exame físico pode ser vasto e de difícil precisão diagnóstica. A pausa respiratória durante a palpação abdominal é altamente sugestivo. Assim, sua confirmação se dá pela realização de um US de Abdome Total, com sensibilidade e especificidade superiores à 90% para seu diagnóstico.

A febre de origem indeterminada é outra forma de apresentação, não rara, da Colecistite Aguda. Isso deve-se principalmente por variações anatómicas e pacientes obesos.

 

Exames complementares

A investigação inicial de um quadro suspeito de Colecistite Aguda não foge à regra de um quadro de Abdome Agudo no pronto-socorro. Faz-se necessária à realização dos seguintes exames:

  1. Hemograma Completo
  2. Urina Tipo I
  3. Rx de Abdome
  4. Beta-HCG (mulheres em idade fértil)
  5. Amilase (para descartar quadros de Pancreatite)
  6. Bilirrubinas Totais e Frações
  7. Enzimas Canaliculares
  8. Eletrocardiograma (afastar patologias cardíacas)
  9. Exame de imagem
 

Tratamento:

Atualmente o tratamento padrão ouro para Colecistite Aguda é a cirurgia, que pode ser aberta (com corte) ou videolaparoscópica. O Grupo Surgical, por ser especializado em Urgências e Emergências opta por promover a quase totalidade dos casos de colecistite por videolaparoscopia. Apenas em casos mais complicados, por vezes, se faz necessária a drenagem da cavidade ou conversão para técnica aberta. Porém, essa abordagem minimamente invasiva, mesmo em casos mais trabalhosos, permite ao paciente recuperação mais breve, menos dor e possibilidade de retorno precoce às suas atividades.

 

Complicações:

O quadro de Colecistite aguda pode vir acompanhado de inúmeras complicações locais e sistêmicas. Quando não tratada prontamente pode complicar-se com peritonite, formação de fístula para o intestino, septicemia e formação de abscessos, devido à necrose provocada pelas bactérias, com produção de gás, que rompe a parede da vesícula. Estes quadros podem ser graves.

A colecistite pode levar a um quadro de pancreatite aguda, porque a bile normalmente armazenada na vesícula pode refluir se um cálculo na parte terminal dos ductos excretores impedir a sua passagem, ativando as enzimas pancreáticas digestivas, degradando o pâncreas e causando pancreatite.

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